Biocombustíveis:

Fotos da moto Flex:
As fotos abaixo são de autoria do jornalista

A moto de perfil.

Detalhes laterais.

O Painel 

 

a pedaleira


Álcool agora também nas motos.

Montagem: Cana e moto

23/04/2008 - A AME Amazonas Motocicletas Especiais produzirá a primeira motocicleta biocombustível do mercado tendo a Delphi como fornecedora da tecnologia. A Delphi Automotive Systems do Brasil é fabricante de componentes de eletrônica móvel e sistemas de transportes e uma das primeiras a lançar o motor flex no Brasil, em junho de 2003, com o Chevrolet Corsa 1.8.

Segundo o anúncio da nova motocicleta AME GA será possível escolher entre gasolina, álcool e outros dois combustíveis. Como conseqüência este sistema gera menos poluentes e traz mais economia.

O produto deve impulsionar o agribusiness relacionado ao biocombustíveis. O mercado de automóveis de passeio e comerciais leves já atingiu a marca dos 5 milhões de unidades. Nos bastidores dizia-se que as possíveis pioneiras no lançamento da moto flex seria a Honda (líder de mercado), a Yamaha ou a Sundown.

A AME Amazonas Motocicletas e Quadriciclos Especiais é uma empresa nacional integrante da GHF Trading, um grupo com mais de 30 anos no setor automotivo e que atualmente apresenta uma linha de motocicletas desenvolvidas com tecnologia e produção exclusivas.

Para quem não se lembra essa moto foi divulgada em setembro de 2007 como uma moto-conceito:

(17-04-07) - Depois de conquistar o mercado de automóveis, os motores flexíveis em combustível chegam às motocicletas. Na Automec, maior feira do setor de autopeças da América Latina, realizada em São Paulo (SP), entre 10 e 14 de abril, a Delphi saiu na frente e apresentou a primeira tecnologia Multifuel para motocicletas: um sistema que permite o uso de álcool, gasolina ou ambos em qualquer proporção.

Segundo o presidente da Delphi na América do Sul, Gábor Deák, a mais nova tecnologia surge impulsionada pela preocupação com a redução da emissão de poluentes. “O mundo pede por combustíveis renováveis e por soluções que não afetem o clima. Apresentamos a solução para o mercado de duas rodas”, explica.

Desenvolvida no Centro Tecnológico da Delphi em Piracicaba, interior de São Paulo, a tecnologia Multifuel pressupõe a utilização da injeção eletrônica de combustível, sistema presente apenas em motos de maior capacidade cúbica no mercado brasileiro, exceto pelas Yamaha Fazer e Lander de 250 cm³.

Por isso, para o modelo exposto na Automec, uma Yamaha YBR 125, a Delphi desenvolveu desde o sistema de injeção eletrônica até o software de gerenciamento de motores, responsável por identificar qual combustível está sendo utilizado.

A YBR 125 fabricada na China (baseada no projeto brasileiro) e comercializada na Europa já adotou a injeção eletrônica. Por enquanto, a Yamaha do Brasil ainda não se manifestou sobre a introdução ou não do sistema no mercado nacional, mas pode ser que ela já o faça com o sistema flex. De todo modo, isto não significa que a YBR 125 venha a ser a primeira moto multicombustível do Brasil. Segundo a Delphi, foram realizados testes também em modelos da Honda e da Sundown.

“A injeção eletrônica é um sistema que já diminui a emissão de poluentes e será obrigatório a partir de 2009, com a entrada da 3ª fase do PROMOT (Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares), que equivale às normas da EURO III, já em vigor na Europa. Com a utilização do álcool, esses índices de emissão podem ser ainda menores”, completa o diretor de Engenharia e Vendas da Delphi para a América do Sul, Roberto Stein.

Como funciona

Segundo Stein, não há grandes diferenças entre o sistema Multifuel para carros e motos. Para que a motocicleta possa utilizar os dois combustíveis, a taxa de compressão do motor tem de ser analisada e ajustada. É preciso instalar uma bomba de combustível especial para trabalhar também com álcool. Além disso, são usados sensores inteligentes de ar e combustível, que em conjunto com o sensor de oxigênio “aprendem” qual é a mistura de gasolina/álcool que está no tanque. Tudo isso gerenciado por um Módulo Eletrônico de Controle da injeção (ECM), que envia as informações a bicos injetores de última geração, com maior vazão. Diversas peças, como o tanque e pistões, entre outras, ainda recebem um tratamento especial para resistir à corrosão causada pelo álcool.

Uma grande dificuldade para a adoção de sistemas flexíveis em combustível em motos era onde alojar o sistema de partida a frio, que consiste de um pequeno tanque para utilizar gasolina apenas ao ligar a moto em dias de temperaturas baixas. A solução da Delphi foi eliminar esse sistema de “cold start” (partida a frio). “Conseguimos criar o Multifuel sem a necessidade do “tanquinho” de gasolina. Para isso temos duas opções: em motos maiores, pode ser utilizado um sistema de aquecimento da mistura; já em motos menores existe apenas a necessidade de se colocar meio litro de gasolina no tanque em cidades em que as temperaturas atinjam menos de 10º C”, explica Stein.

Economia

Os benefícios para os motociclistas virão em forma de economia, já que um litro de álcool chega a custar metade do valor de um litro de gasolina em algumas regiões do país. Segundo cálculos da Delphi, a economia pode ser de 30% por quilômetro rodado.

Apesar da vantagem na hora de abastecer, pode haver um aumento no preço final da moto devido aos custos da nova tecnologia. “Com o tempo, esses custos acabarão sendo diluídos com a produção em larga escala”, acredita Stein.

A Delphi aposta que, com a entrada em vigor da fase 3 do PROMOT, a primeira moto equipada com a tecnologia deve chegar ao mercado em 2009. Entretanto, são fortes os indícios de que já no Salão das Duas Rodas deste ano seja apresentada uma moto flex de série. Para diminuir o preço final, possivelmente será um modelo de entrada – sem freio a disco e com motor de 125 cm³ – que vai inaugurar a onda flex no mercado de duas rodas.
publicado por WebMotors em: 17-04-07